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Educadoras e educadores do Bem Viver

Mais um passo em nossa reflexão sobre o tema do III ENJEL – Saberes, sabores e lutas: territórios do Bem-Viver. nnAqui vamos prosseguir com o desafio relacionado à ESCUTA DAS COMUNIDADES LOCAIS (tratado no post imediatamente anterior) através de um desdobramento que descobrimos como central na dimensão mística e libertadora do Bem Viver: Como comunicar o elã que nos envolve? nComo encantar para fazer esperança enquanto verbo?

Somente se soubermos amar. O amor é um ato político, nos diria Paulo Freire, ne o Papa Francisco em sua mais recente encíclica, Fratelli Tutti, dirá que é um ato civil.

Isto exige reconhecer que o amor, cheio de pequenos gestos de cuidado mútuo, é também civil e político, manifestando-se em todas as ações que procuram construir um mundo melhor. Por este motivo, o amor expressa-se não só nas relações íntimas e próximas, mas também nas macrorrelações como relacionamentos sociais, econômicos e políticos. (PAPA FRANCISCO, 2020, 181)

Não nos consideremos especialistas em Bem Viver, somos tateadores do Bem Viver nas periferias da vida humana. É subir o morro e escutar, é se deixar interpelar pela realidade possuindo-se das vozes, corpos e sonhos. E, nesse encontro com o chão da vida saber que falamos aqui de solidariedade, falamos aqui de esperança, mas é mais também.

  • É tratar do passado, da construção feita sobre nós e das capacidades de nos desagarrarmos da sociedade do privilégio e sermos projeto.
  • É descobrir-se um poliedro de perspectivas em si e no outro.
  • Uma contemplação de sua originalidade e riqueza pessoal, fecundada por uma pluralidade de seres e vozes que te habitam e, também, ser capaz de contemplar e reverenciar a mesma riqueza em cada ser vivente.

Portanto, como educadoras/es, reconhecemos o local de nossa elaboração de mundo. Sentir e perceber os conflitos é também assumir uma ética solidária e responsável, de superação e reintegração de posse da mãe Terra, sem acepção de pessoas.

Sim, essa ética também nos conduz às devidas e pertinentes denúncias de tudo que compromete a vida plena. O Bem Viver, portanto, não é um plano uniforme, mas um corpo multiforme, filho do paradigma do encontro, pois é pluralista. E, desse modo, não se trata de transferir experiência daqui para acolá.

Ele é uma resultante radical, mas há três elementos que nos são comuns, porque falam do calor do real e da vida, portanto, vale defendermos e projetá-las como essências:

  • Construir comunidades: as comunidades intencionais, espaços de partilha e de construção coletiva.
  • Retomar os vínculos com a natureza que nos levam a ter possibilidade de entendermos que somos uma comunidade natural, onde o princípio é biocêntrica.
  • Se permitir as relações espirituais entre os seres humanos e não humanos. Reconhecendo o chamado de Davi Kopenawa, em ‘A Queda do Céu’ sonhar para além de nós mesmos, vencendo as barreiras subjetivas impostas pela sociedade de consumo.

Assim, forjados do mesmo chão e das mesmas dores, a experiência do encontro é mergulho nos desafios. A mística do Bem Viver arremessa a todas/os para a buscas coletivas diante de problemas que foram individualizados ou particularizados.

Uma nova ordem social brotará dessas práticas coletivas e fraternas. É chegado o tempo de restituirmos o poder sobre nós e vertermos o poder para uso do comum.

Rosemary Fernandes da Costa e Eduardo Brasileiro, O Bem Viver: caminho para uma mística libertadora. In: GUIMARÃES, E., SBARDELOTTI, E. e BARROS, M. 50 anos de Teologias da Libertação. Memória, revisão, perspectivas e desafios. São Paulo: Recriar, 2022

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