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Poá/SP, setembro de 2017.

Segundo Encontro Nacional

“O que a memória amou, ficou eterno” (Adélia Prado)

Depois do processo que originou o 1º Encontro de Juventudes e Espiritualidade Libertadora, em 2014, em Fortaleza/CE, os mais diversos Grupos e Movimentos que ali se reuniram, mantiveram uma trajetória de reuniões periódicas e Encontros Regionais. Neste momento, 3 anos após o 1º. Encontro, já é tempo de colheita e novas semeaduras, trocas e aprendizagens mútuas. Portanto, uma peculiaridade deste 2º Encontro será a Coordenação composta por assessores do grupo de Emaús, do CCJ (Centro de Cursos de Capacitação da Juventude) e de lideranças dos Movimentos Juvenis relevantes no contexto latinoamericano, sendo PJ (Pastoral da Juventude Nacional), REJU (Rede Ecumênica de Juventudes), KOINONIA (Presença Ecumênica e Serviço) e MIRE (Mística e Revolução).

Neste ano, o grupo de Emaús, e a coordenação da PJ, REJU, KOINONIA e MIRE, convocam as lideranças juvenis cristãs e não-cristãs, para o 2º Encontro Nacional de Juventudes e Espiritualidade Libertadora em setembro de 2017, a fim de nos reunirmos na busca pelo Bem Viver como caminho de integração das dimensões sociopolítica, econômica, ambiental, espiritual e relacional.

A filosofia do Bem Viver será nosso ponto de partida para as reflexões e busca de respostas pastorais, políticas, sociais e econômicas para as questões presentes na vida dos povos latinoamericanos. Essa proposta, de origem kechwa, se articula em torno de um novo paradigma do “bem viver”, em kechwa, “sumak kawsay”. O “sumak kawsay” é uma utopia política não muito distante da utopia do Reino. Ambos são precedidos ou representam um pachakuti, uma reviravolta social. O pachakuti restabelece o equilíbrio perdido e abre o caminho para “viver em plenitude”. Na “Conferencia de los Pueblos sobre El Cambio Climático y los Derechos de La Madre Tierra”, num “Acordo dos Povos” do dia 22 de abril em Cochabamba, o “sumak kawsay” foi novamente consagrado como paradigma planetário.

O Bem Viver representa uma proposta de integração da felicidade moral individual e social ou, como se diz no mundo andino, as buscas de harmonia, de harmonia sociocultural entre a pessoa e a comunidade, e a harmonia entre os seres humanos e a natureza da qual são parte integrante. Em torno desse saber dos povos andinos, que se tornam sabedoria fontal para todos os povos e, nesse momento, um eixo referencial para as comunidades contemporâneas, é que desejamos nos reunir, em setembro de 2017, para beber nessa fonte, trocarmos as situações de conquistas e de limitações vivenciados nestes últimos 3 anos, bem como aprendermos juntos a construir um mundo novo para toda pessoa, a humanidade e a terra-mãe.

Desejamos, ainda, que esse encontro resulte no esforço conjunto de colaboração das muitas igrejas cristãs, com abertura macro-ecumênica às expressões ameríndias e afrolatinas presentes nesta terra que nos acolhe e conduz. Queremos fazer do Ecumenismo uma ação concreta e visível como sinal de um caminho conjunto em que as diversidades não nos dividem, mas se transformam em riqueza e força reconhecendo que o mesmo Espírito nos anima a todos.

Como nos orienta o teólogo Paulo Suess, assessor do Conselho Indigenista Missionário: o bem viver é uma ação afirmativa que significa puxar o freio de emergência do projeto acelerado e desgovernado em curso e propor outro projeto civilizatório. A vida dos cristãos é atravessada pela cruz que assumimos por causa do bem viver dos outros e pela gratuidade. Anunciamos o Reino de Deus como libertação da servidão, nos fazendo servos de todos. A radicalidade da encarnação (e inculturação) tem o nome de solidariedade (cf. Gaudium et spes, 32). O motivo profundo de uma vida que incorpora a ascese é solidariedade e participação. No horizonte evangélico de uma igualdade radical não existe lugar para a apropriação privada da vida boa, nem da fé, da esperança e do amor. Vida boa para todos e para sempre! A dimensão da cruz é a dimensão da ruptura. Ela nos coloca no meio dos grandes conflitos. Nosso equilíbrio está na articulação entre luta e contemplação. O bem viver, no horizonte de todos e para sempre, existe somente no horizonte da ressurreição!

A América Latina vive um momento histórico de muitos desafios, mas também de uma profunda revisão histórica, de suas escolhas, orientações e projetos de toda ordem: religiosa, política, social, moral, econômica, ambiental. Os movimentos refletem a busca de identidade, de valor próprio, de dignidade, de fraternidade, de solidariedade, de recusa à instrumentalização e à escravidão, de direitos humanos. Pontuamos o caráter relacional dessas experiências e, especialmente, nos agrupamentos e movimentos juvenis com suas narrativas e busca de significados compartilhados. Ao se colocarem frente a frente, ou mesmo lado a lado por uma mesma causa, são interpelados a construir pontes: pontes de linguagem, pontes corporais, pontes étnicas, pontes religiosas, pontes políticas, pontes econômicas. E com isso temos percebido não apenas a crise tão propalada, mas também novas aprendizagens dos quais somos testemunhas, mas também convocados à parceria solidária, ao exercício coletivo da cidadania, a aprendermos juntos novas formas de construção desse mundo que tanto desejamos, e que somos capazes de conquistar.

Essas dinâmicas continuam acontecendo na vida de nossas igrejas, sinal que sempre há pessoas que fazem de sua fé e espiritualidade uma luz para se encarnar e fazer acontecer o Reino, o grande sonho de Jesus Cristo. Tudo isso já é o resultado da vivência evangélica e do sofrimento de milhares de vidas oferecidas na construção da justiça e da democracia. Há milhões de pessoas de boa vontade que em nossas igrejas, nos movimentos sociais, dentro de iniciativas e secretarias de governos, olham com angústia e coragem esse momento histórico para colocar a esperança dos pobres no centro de um projeto de humanização.

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